sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Quer queijo?

Todo mineiro que se preza sabe apreciar um bom queijo. E aqui nós temos vários tipos, dignos de figurarem nas mais especiais mesas e celebrações. Massas cozidas, semi-cozidas, feitos com leite cru, frescos, o meia-cura, os muito curados, a variedade é enorme e vale cada pedacinho.
Difícil é escolher qual deles levar para a cozinha e para a mesa do café. Meus favoritos são os de leite cru, patrimônios do Estado e do país, que encontram apenas dificuldades ao tentarem se difundir Brasil afora. Um absurdo. Tombado pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil, o queijo feito a partir de leite cru não pode sair do estado devido a uma legislação falha que clama por uma adequação à nova realidade dos produtores e da economia. Segundo a Emater-MG, há 27 mil famílias envolvidas na produção desse queijo em todo o Estado.
Essa reportagem da Folha fala sobre o risco que nosso patrimônio corre de desaparecer.
E aqui nosso ilustre doutor e defensor do queijo de leite cru, Carlos Alberto Dória, fala sobre isso também.

Para quem ainda não viu, Helvécio Ratton fez um documentário sensacional sobre os queijos daqui: "O mineiro e o queijo". Aqui em cima uma fatia do documentário.

Outro absurdo é o descaso que nós mesmos, mineiros ou não, muitas vezes sem perceber, temos com relação ao nosso próprio produto. É comum preferirmos as opções do Velho Mundo em detrimento de nosso querido e tão saboroso queijo artesanal, quando se trata de uma "seleção de queijos finos". Eu mesma vendo no buffet essas seleções cheias de 'primos' gringos, apesar de sempre 'encaixar' um queijinho mineiro. Descaso! A partir de agora, vou oferecer a "Seleção de queijos finos mineiros", fazendo jus ao nosso terroir e às mãos abençoadas dos produtores que merecem todo o nosso respeito e admiração.

"Seleção de queijos finos" do Jardim Gourmet, com o nosso glorioso Araxá e suas lindas olhaduras ('furinhos') - esses cubinhos bem aqui na frente (com um morango por cima), figurando ao lado de um Tilsit (queijo alemão com kummel), Gouda (holandês), Grana Padano (Itália), Gorgonzola (Itália) e Chancliche (árabe).


Quanto aos distintos sabores, texturas e funções, aqui vão minhas preferências pessoais, lembrando que há uma infinidade de aplicações para nossos queijos na gastronomia. E quando digo infinidade é no sentido literal da palavra.
O queijo de Araxá, gosto dele picado bem miudinho, dentro de uma xícara de café fumegante. Mania herdada do meu avô paterno - que nem era mineiro e eu não cheguei a conhecer - e que meu pai vivia fazendo pra gente (eu e meus irmãos) quando éramos pequenos. Acabei gostando dos minúsculos pedacinhos de queijo, bem molinhos pelo calor do café... a gordurinha que eles soltam deixam o café mais gostoso... e o cheiro? Coisa linda das Minas Gerais.

Os do Serro são bons de comer puro pra sentir sua boa acidez ou então com um belo naco de goiabada cascão ou doce de leite de colher.

Os da Serra da Canastra e os do Alto Paranaíba são bons já bem curados, com a casca durinha, amarelada, e o miolo bem cremoso. Ficam uma delícia derretidos dentro de um pão tostado com manteiga.

 Queijo artesanal de leite cru feito por meu saudoso pai. Ele me mandou esse queijo quando eu ainda morava em Floripa. Deixei o queijo curando uns 15 dias, sem mexer na casca, aproveitando as temperaturas amenas do Sul. Estava delicioso, a casca ficou parecendo a de um brie, e o miolo molinho...

3 comentários:

Mirna Farhi disse...

Humm quero provar! Traz pra mim? beijinhos com saudades

cristiano disse...

Ei, Mi!! Levo, sim, uma mala só de queijos procê... rs!!!
beijos, linda!

Mari Falcão disse...

Mi, aqui em cima apareceu "cristiano", mas sou eu, a Mari!!! rs... o Cris tava logado no gmail...